A derrota por 2 a 0 para o Vila Nova aumentou a pressão sobre o Goiás, e Mozart não tentou fugir dela. Depois do clássico no OBA, o treinador assumiu a responsabilidade pelo resultado e reconheceu que sua equipe apresentou comportamentos muito diferentes antes e depois do intervalo.
No primeiro tempo, o Verdão conseguiu equilibrar a disputa, ocupou melhor os espaços e evitou que o rival transformasse o apoio da torcida em domínio absoluto. A equipe, no entanto, produziu pouco no ataque. Foi uma atuação controlada defensivamente, mas sem a agressividade necessária para mudar o placar.
A etapa final expôs o problema. Depois de sofrer o primeiro gol, o Goiás perdeu organização e não encontrou uma resposta coletiva. As mudanças feitas pela comissão técnica não alteraram o rumo do confronto, e o Vila Nova aproveitou o momento para ampliar e administrar a vantagem até o fim.
Ao falar em dois tempos distintos, Mozart apontou justamente a falta de continuidade que acompanha o time durante a Série B. O Goiás já mostrou capacidade para competir contra adversários fortes, mas não consegue sustentar o mesmo nível durante partidas inteiras ou por uma sequência longa de rodadas.
A autocrítica do treinador é importante, mas o calendário não oferece tempo para explicações prolongadas. O duelo com o Botafogo-SP chega apenas quatro dias depois do clássico e exige mudanças práticas: mais criação no meio-campo, melhor ocupação da área e reação emocional quando o adversário marca primeiro.
Mozart mantém a confiança na recuperação, mas sabe que a margem diminuiu. Com 36 pontos e longe do grupo de acesso, o Verdão precisa transformar a cobrança interna em desempenho. A resposta mais convincente não virá em entrevista coletiva, e sim com um time mais atento, intenso e eficiente dentro de campo.
A partida desta segunda-feira será, portanto, um teste para o elenco e para o comando técnico. Depois de assumir a responsabilidade, Mozart precisa mostrar que identificou os erros do clássico e encontrou caminhos para impedir que eles se repitam.



