Existem jogos que se decidem no detalhe e jogos que se decidem no relógio. O Goiás 0 x 1 Fortaleza, na Serrinha, pertence à segunda categoria: aos 13 minutos do primeiro tempo, quando Luiz Felipe recebeu o vermelho, a partida que o Verdão havia planejado deixou de existir e outra, muito mais dura, começou.
O lance foi daqueles que dividem a arquibancada. O zagueiro chegou atrasado numa disputa em velocidade, com o adversário já em condição de progredir ao campo esmeraldino, e a arbitragem entendeu que a falta interrompia uma jogada clara de gol. Sem margem para reclamação técnica, sobrou a discussão de sempre entre torcedores: o defensor precisava mesmo entrar naquela bola? Numa Série B em que cada ponto pesa, o custo do impulso foi altíssimo.
A partir dali, o Goiás virou um time de reação. Mozart sacrificou o atacante Felipe Clemente para recompor a zaga com Ramon, manteve Luizão improvisado na lateral direita e recuou as linhas. Foi uma escolha conservadora, mas coerente: com quase 80 minutos pela frente e um homem a menos, abrir a equipe seria convite para goleada.
A atuação, dentro do contexto, teve mérito na primeira meia hora de inferioridade. O bloco baixo funcionou, os laterais dobraram bem as pontas e o Fortaleza rodou a bola sem encontrar o corredor central. O problema é que um time com dez raramente consegue segurar essa organização por 80 minutos — e o gol de Vitinho, aos 44, chegou exatamente no momento em que a concentração esmeraldina começava a ceder.
No segundo tempo, faltou o que já vinha faltando mesmo com equipe completa: criação. O Goiás dependeu de bola parada e de lampejos individuais, teve pouca presença de área e quase nunca conseguiu segurar a bola no campo ofensivo para dar fôlego à defesa. Cada recuperação virava um chutão, e cada chutão devolvia a posse ao adversário. É o ciclo que consome qualquer equipe em desvantagem numérica.
Há, ainda assim, o que aproveitar. A entrega foi visível, a Serrinha não abandonou o time e a defesa só foi vazada uma vez em condições muito desfavoráveis. Mas entrega, nesta altura da temporada, virou o piso e não o teto: o Verdão precisa de jogos completos, com posse qualificada e finalizações, não apenas de resistência.
O saldo prático é ruim. Além dos três pontos perdidos, o Goiás terá de montar a zaga sem Luiz Felipe no próximo compromisso, o que devolve à comissão técnica um problema que parecia resolvido. E o recado da tarde ficou claro: com um a menos, dá para sofrer bonito; para brigar por acesso, é preciso jogar bem com onze.
E você, esmeraldino: a expulsão foi decisiva ou o time já vinha jogando mal antes do cartão? A resposta que a torcida der agora é a mesma que a diretoria vai ter de encarar em dezembro.




