Havia sol na Serrinha, havia esperança na arquibancada e havia uma conta simples na cabeça de todo esmeraldino: vencer o Fortaleza era encurtar a distância para o G-6 e transformar setembro no mês da virada. Noventa minutos depois, o placar de 1 a 0 para o time cearense contava outra história — a de um Goiás que jogou quase a partida inteira com um homem a menos e saiu de campo com mais dúvidas do que respostas.
O jogo virou de lado cedo demais. Aos 13 minutos do primeiro tempo, o zagueiro Luiz Felipe foi expulso, e o roteiro que o Verdão havia desenhado para a tarde se desfez ali, ainda quente. Mozart precisou reorganizar tudo às pressas: sacrificou o atacante Felipe Clemente para colocar o zagueiro Ramon e manteve Luizão improvisado na lateral direita, tentando fechar a casa antes que o vento entrasse.
Por mais de meia hora deu certo. O Goiás recuou as linhas, apostou na bola longa e chegou a assustar em transições rápidas, com a torcida empurrando cada saída de bola como se fosse contra-ataque decisivo. O Fortaleza rodava a bola, mas esbarrava num bloco compacto que parecia disposto a levar o 0 a 0 para o intervalo e recomeçar a partida com o vestiário mais calmo.
O gol veio no pior momento possível. Aos 44 do primeiro tempo, Vitinho apareceu na hora certa e mandou para as redes. A Serrinha silenciou por alguns segundos — o tipo de silêncio que só um gol sofrido no fim da etapa inicial produz — antes de voltar a cantar, mais por teimosia do que por convicção.
No segundo tempo, o Goiás tentou o que era possível tentar com dez jogadores: subiu a marcação em blocos, buscou bolas paradas, apostou na jogada individual pelos lados. Faltou fôlego na reta final e faltou aquele último passe que transforma pressão em chance real. O Fortaleza administrou o resultado com a experiência de quem briga na parte de cima da tabela.
Com o resultado, o Verdão caiu para a 12ª posição, com 36 pontos em 26 rodadas, e viu a distância para o grupo dos seis primeiros aumentar num momento em que a tabela começa a cobrar mais do que promessas. Restam 12 rodadas e 36 pontos em disputa — matematicamente, tudo segue aberto; emocionalmente, a margem para erro encolheu de novo.
A sequência agora exige o que faltou nas últimas semanas: regularidade. O grupo volta aos treinos sabendo que a torcida não vai deixar de comparecer, mas também que a paciência de setembro não é a mesma de maio. Na Série B, quem demora a reagir costuma assistir ao acesso de longe.




