Toda temporada de Série B tem um momento em que a tabela deixa de ser paisagem e vira cobrança. Para o Goiás, esse momento chegou na 26ª rodada: a derrota em casa para o Fortaleza empurrou o time para a 12ª colocação, com 36 pontos, e transformou a conta do acesso em algo que exige calculadora e fé em doses parecidas.
O problema não é apenas a posição, é a companhia. O pelotão intermediário da competição está embolado, com vários clubes somando pontuação parecida e brigando pelas mesmas vagas. Na parte de cima, equipes como Juventude, Vila Nova e Criciúma navegam na faixa dos 44 a 46 pontos — uma distância que ainda pode ser encurtada, mas só com uma sequência de vitórias que o Verdão não emplaca há tempo.
A matemática ajuda quem acredita: restam 12 rodadas e 36 pontos em disputa. Historicamente, o acesso na Série B costuma ser conquistado na casa dos 62 a 65 pontos. Isso significa que o Goiás precisaria de algo em torno de oito vitórias no restante do campeonato para entrar de vez na conversa — um ritmo de líder, não de meio de tabela.
O calendário traz jogos diretos contra concorrentes que podem funcionar como divisor de águas. Vencer fora de casa, algo que a equipe fez poucas vezes na temporada, é a variável que mais pesa nas projeções. Sem pontuar longe da Serrinha, qualquer arrancada vira teoria.
Dentro do clube, o discurso é de calma. A comissão técnica avalia que o elenco tem qualidade para uma sequência forte e aposta na recuperação física do grupo após um período de desgaste. Nos bastidores, porém, admite-se que o próximo tropeço em casa transformaria o ambiente rapidamente.
A torcida, essa, continua fazendo a parte dela. Mesmo com o time longe do G-6, a Serrinha recebeu bom público na derrota para o Fortaleza — mais um lembrete de que o Goiás tem estrutura de clube grande e cobrança compatível. Agora, cabe ao time responder no lugar onde a conversa realmente acontece: em campo.




